Parceiro AVFM Clique para ouvir a Emiss‹o Online
Home | Notícias | Desporto | TOP10 | Eventos | Passatempos | Links | Contactos
Frontpage Slideshow (version 2.0.0) - Copyright © 2006-2008 by JoomlaWorks
   
População apavorada com o avanço do mar

O avanço repentino do mar no Furadouro fez desaparecer a parte nobre da praia, ameaça o aglomerado urbano e está a preocupar o comércio local.

“Este ano, isto está mesmo muito mau”, confirma Ermelindo Pinho, 60 anos e uma vida dedicada ao mar do Furadouro. Com o olhar perdido nas vagas alterosas que batem nas pedras e saltam para a rua, o pescador do Furadouro, afiança: “Nunca vi o Furadouro assim” e adverte que “as marés vivas ainda nem começaram e o mar aqui já comeu mais de 50 metros de areal e escavou para aí dois de profundidade. Isto é incrível.”

Ninguém percebe o que andam os técnicos a fazer e Ermelindo Pinho chega mais um argumento à polémica: “Antes de mexerem no esporão tínhamos praia, deixámos de a ter quando se puseram a mexer”. O pescador vareiro refere-se, pois, às obras de reparação do esporão central, já concluídas.

Ermelindo Pinho não acredita que o mar venha a repor a areia que “roubou”. “Acho muito difícil voltar a ter aqui praia, porque este ano tem sido demais e só Deus sabe o que nos está ainda reservado”, lamenta.

Nascido e criado na praia do Furadouro, não conhece outra fonte de sustento que não seja a pesca. A sua arte é a Xávega e é na companha que opera a Norte do Furadouro, a do Nazareno, que ganha o “trigo”. Este ano, não sabe como vai conseguir trabalhar, porque “o barranco” que o mar escavou é impossível de escalar pelas máquinas de transporte do peixe.

“É uma tristeza o Furadouro ficar sem praia e sem condições de pesca”, lamenta, triste.

Por isso é que Manuel Brandão, 35 anos, embora tenha nascido no Furadouro e ainda tenha dado os primeiros passos na pesca com a família, depressa percebeu que dali não vinha futuro e empregou-se numa empresa do concelho. “Gosto muito de pesca, mas agora só por passatempo, porque não dá para viver”, explica. Aliás, para ele “é importante que alguém faça alguma coisa pelo Furadouro, porque se ficar sem pesca e sem praia, o que vai ser de nós?”.

Ermelindo Pinho diz que, à falta de melhor, vai ter que se virar para a apanha das enguias da Ria, mas esta “também ficou num estado lastimável depois das dragagens e já não se apanha de jeito”.

Manuel Brandão lamenta que “a polícia marítima sabe andar por aqui a multar quem por aqui tem redes da majoeira, mas não se lembra que esta gente não tem outro ganha-pão”.

Maria Adriana tem as montras da sua peixaria salpicadas pelas águas do mar. “Eu só quero que o mar me dê tempo de fugir”, diz o seu estado de espírito que é igual aos que moram na frente de mar. Desde Novembro que as águas sobem, “mas ultimamente tem sido de mais”, sentencia.

O Furadouro que, por estes dias, virou destino de romarias de mirones ávidos de confirmar se o que se diz é verdade, precisa de praia. “Eles perguntam-me que vai haver praia esta ano e eu respondo que sim, mas na verdade duvido muito”, diz Maria Adriana que acrescenta: “mas nós precisamos de praia, se não vamos viver de quê? O Governo tem que ver isto porque assim não pode ser…”

Teresa Fidélis, presidente da Administração da Região Hidrográfica diz que “este fenómeno de erosão marítima, complexo, não era expectável, porque acontece a norte de um esporão, zona onde habitualmente há acumulação de sedimentos e não o contrário”. O que sucedeu, acrescenta Teresa Fidélis, “poderá explicar-se por uma alteração da orientação da corrente marítima dominante, que em geral é de noroeste e agora está aparentemente de sudoeste”.

A ARH do Centro reitera o facto de estar a acompanhar este assunto com a maior atenção e proactividade, quer no que diz respeito a intervenções urgentes quer no que diz respeito a intervenções estruturais, que minimizem os efeitos negativos da erosão marítima de dimensões e orientação atípicas.

www.ovarnews.com

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >

 





Esqueceu a senha?
Sem conta? Criar Conta!
 
Parceiro AVFM Clique para ouvir a Emiss‹o Online